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Surf em Saquarema / RJ – Análise do Pico

surf em saquarema

Análise Do Pico: Saquarema/RJ

Subindo a costa brasileira, direto para a capital do surf, Saquarema/RJ, chegamos ao quinto episódio da nossa série Análise do Pico.

Para muitos surfistas brasileiros que já tiveram a oportunidade de surfar em boa parte da nossa costa certamente Saquarema irá figurar entre seus picos prediletos, assim como acontece com a lendária direita do Pico De Matinhos. Local de extrema consistência e com ondas fortes e abertas, Saquarema oferece surf de qualidade trezentos dias por ano.

Os Primórdios

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Foto: Acervo de Armando Serra

Conta a história que foram surfistas fluminenses que descobriram as ondas de Saquá em meados dos anos sessenta. Era época das pranchas de madeirite, e segundo o pesquisador e jornalista de surf Reinaldo “Dragão” Andraus, “quem percebeu que as ondas eram especiais para o surf em Saquarema foi um dos pioneiros surfistas, da turma da pesca submarina, Armando Serra. Armando foi até lá para fazer uma pescaria com o amigo “Tute”, um dos big riders do início dos anos 60, todavia eles estavam sem pranchas nessa ocasião. Pouco tem depois eles voltaram, ainda em 1964 e surfaram ali pela primeira vez.

Ainda de acordo com Reinaldo, “em seguida surgiram as pranchas de fibra e as histórias das ondas daquele vilarejo foram passando de boca em boca na pequena turma do surf que crescia. Penho, Russell, John Hansen, Maraca, Tito Rosemberg, Persegue e outros surfistas começaram a frequentar a região e desbravar além. Chegaram a ir até Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios. Inegavelmente logo perceberam o quão especial era Saquarema”.

Relatos de um dos nossos leitores, o local de Niterói Cícero, contam que a comunidade surfística niteroiense também foi uma das pioneiras a surfar em Saquarema nas décadas de 60 e 70.

Surf, Rock & Vôlei em Saquarema

Distante pouco mais de 100km do Rio de Janeiro, Saquarema também é conhecida como o Maracanã do surf nacional. A partir dos anos setenta, muitos festivais de surf começaram a acontecer por ali e também festivais de música históricos, como o Som, Sol & Surf. Por muitos anos o lendário roqueiro Serguei (in memorian) foi o anfitrião do Templo do Rock. Neste local onde era possível encontrar fotos e objetos pessoais do artista. Muita gente ia até lá só para ouvi-lo contar histórias pessoais hilárias sobre o Festival de Woodstock e sua amizade com a cantora Janes Joplin.

Além do surf, nos dias de hoje o vôlei é um esporte muito importante para a cidade. Lá é onde está instalado, desde 2001, o Centro de Desenvolvimento de Voleibol, administrado pela Confederação Brasileira de Vôlei e aberto à visitação das instalações, assim como do Museu do Vôlei, cheio de troféus e medalhas. Com mais de cem mil metros quadrados entre o mar e a lagoa, ele contém alojamentos e estrutura completa para o treinamento e a formação de atletas. São diversas quadras de vôlei de praia, ginásio, piscinas e academia de musculação.

Ondas Havaianas

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Praia da Vila e Barrinha.

Saquarema conta com duas praias principais para a prática do surf, a Praia da Vila e Itaúna. Na faixa de areia de Itaúna existem dois picos bem definidos, além de ondas perdidas pelo meio da praia. No canto esquerdo se encontra o point de Itaúna, lendário pico que segura grandes ondulações e quebra esquerdas perfeitas quando as condições são as ideais. Do outro lado está a Barrinha, uma onda que até há poucos anos não existia, mas que depois da implementação dos molhes se tornou uma das melhores ondas do Brasil.

O que faz as ondas de Saquarema serem tão potentes e constantes é basicamente a posição geográfica. Virada para sul e completamente exposta às grandes ondulações que atingem o sul e sudeste do Brasil, esta região tem a plataforma continental mais curta da nossa costa. Assim sendo, a diferença de profundidade de alto mar, por onde se desloca o swell, e a bancada onde quebram as ondas é abissal. Este enorme desnível provoca grande atração das ondulações, como acontece na Praia de Black’s em San Diego, e consequentemente faz com que as ondas não percam sua força antes de chegarem à praia.

Segundo Roberto Perdigão, diretor regional da WSL Latin America, “a geografia da praia é favorável à formação de bons fundos de areia por conta da laje e das correntes todas. Esses elementos são fundamentais na construção de uma onda perfeita. Saquarema tem uma variação de ondas para a esquerda de altíssima qualidade e uma variação para a direita com ondulações de sul e sudoeste. Os ventos são favoráveis, e as tempestades se dissipam muito rapidamente”.

Água Gelada

Outro fator interessante é o fenômeno da ressurgência, que fica ainda mais forte nos meses de verão, quando a temperatura da água do mar pode ficar extremamente gelada. Isso acontece quando águas geladas do fundo de mar sobem até a superfície. Por esse motivo, sem dúvida recomendamos que tenha sempre sua roupa de borracha longa na bagagem quando for para lá.

Praia Da Vila

Historicamente o pico mais surfado pelos locais. A Praia da Vila é a mais central de Saquarema e oferece ondas por toda sua extensão. Em sua maioria as valas espalhadas pela praia proporcionam ondas fortes e rápidas, com tubos e potentes junções. Inegavelmente, o principal pico fica no canto esquerdo da praia, logo abaixo da belíssima e histórica Igreja de Nossa Senhora de Nazareth. Nos dias ideais os locais a chamam de Pipe Vila, por conta do largos e perfeitos tubos. Para que isso aconteça é preciso uma ondulação grande de sul com período de pelo menos 10 segundos. O vento perfeito é o nordeste fraco a moderado e a maré enchendo completam o quebra-cabeças para que a máquina de tubos comece a funcionar.

Assim como em todos os picos de surf, o respeito e a discrição são fundamentais em Saquarema. Berço de diversos talentos do surf nacional e quintal de nomes consagrados como os irmãos Marcos e Márcio Monteiro, da família Chianca (os Chumbo) e dos ex-top do CT Raoni Monteiro e Leo Neves (in memorian) entre outros, chegue com bastante cautela e observe o mar por mais tempo que o normal antes de entrar. A força das correntes e ondas nessa região é incomparável e o ideal é sempre entender como os locais se comportam na entrada e saída d’água. Tenha seus equipamentos em dia, confira sua cordinha e procure usar pranchas maiores e com mais volume, ela farão a diferença, pode acreditar.

Barrinha

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Raoni Monteiro na Barrinha. Foto: Nilton Gibão

Certamente uma das melhores ondas do Brasil. Entretanto, a Barrinha precisa de um swell sólido para ser ativada, mas é uma das ondas mais pesadas da região devido à sua formação e potência únicas. A ondulação faz a curva por trás da boca da barra e concentra areia ao redor do molhe de pedras da Barrinha. Quando maior o período e a energia das ondas, maior será a refração da ondulação nas pedras, enquanto as ondas de menor período refratam menos e encostam na praia em um ângulo mais reto. Acontece também que uma parte da energia das ondas rebate no molhe em um ângulo invertido, o que ajuda a criar picos convergentes e triângulos cavernosos.

Para que a Barrinha quebre clássica como vimos nos dois últimos anos durante a etapa brasileira do CT da WSL, uma combinação ainda mais rara de condições precisa se alinhar. O swell grande de sudoeste é essencial, assim como o vento nordeste. A melhor maré é a seca enchendo e o pico precisa estar com a quantidade ideal de areia no fundo. Dessa forma você poderá pegar alguns dos melhores tudo da sua vida, mas não se engane, ela não é tão fácil quanto os profissionais fazem parecer neste vídeo.

Todo o respeito pelo oceano e pelos locais é pouco. Fique ligado às correntes e à constante movimentação de água no pico, é fácil sair do posicionamento correto e acabar indo parar no meio da praia com bombas de 10 pés quebrando por todo lado.

Itaúna

Hugo Bittencourt no point de Itaúna

A Praia de Itaúna é a mais consistente da região, tanto é que foi o pico escolhido pela WSL para sediar a etapa brasileira do mundial de surf.  Ele funciona em uma ampla variedade de tamanhos, quebrando como um típico beach break (no estilo Brava de Itajaí) com direitas e esquerdas pela praia toda quando o swell é pequeno ou médio. Isso se transforma quando entram grandes ondulações de sul/sudeste. Para que as clássicas esquerdas do point quebram perfeitas são necessários swell grande com pelo menos 8 pés e período médio na direção sul/sudeste. Os melhores ventos são do quadrante norte, entre noroeste e nordeste e a maré seca enchendo fazem o canto da praia parecer um point break com ondas de mais de 200 metros de extensão para a esquerda.

É de suma importância também que haja boa cobertura de areia no fundo. Isso serve para que a pista se forme e as ondas quebrem ainda com mais perfeição. Quando a maré enche rolam backwashes pela praia, alguns deles bastante fortes, assim sendo muitas ondas ficam balançadas, o que dificulta a prática do surf. Fique atento.

Pranchas Recomendadas

Conforme mencionamos anteriormente, Saquarema pede pranchas maiores e com mais volume para que sejam surfadas com precisão e segurança. Dessa forma separamos cinco modelos os quais consideramos ideais para sua trip até o Maracanã Do Surf Brasileiro.

“DHD – Sweet Spot 3.0”

“Pyzel The Ghost”

“Al Merrick – Taco Grinder”

“Lost – Trouble Shooter”

“Cabianca – DFK Plus”

 

 

13 thoughts on “Surf em Saquarema / RJ – Análise do Pico

  1. Cicero says:

    É uma pena que todas as reportagens sobre o começo do surf em Saquarema, não se relata os surfistas de Niterói, que também desbravaram as ondas de lá. No início da década de 70, meu pai me levava pra surfar lá saindo de Niterói. Ou ia de ônibus quando alugávamos casa na Itaúna. Também, quando estudava de manhã em Niterói, depois da aula surfávamos fim de tarde em Saquarema. Até hoje surfo em Itaúna e na Vila. Gerações anteriores a minha de Niterói já surfava em Saquarema.
    Aloha.

    • Luís Coruja says:

      Obrigado pelo comentário, Cícero. Realmente há poucos ou nenhum relato do pessoal de Niterói desbravando Saquarema. Mas com certeza, e você é prova disso, havia surfistas niteroienses surfando na Região Dos Lagos desde a década de setenta né. Nos desculpe por não termos os mencionado e muito obrigado por compartilhar sua história conosco. Vamos adicionar uma errata ao texto com essa informação.

    • Luís Coruja says:

      Obrigado pelo toque, Carlos. Na verdade focamos nas ondas mais centrais e conhecidas, mas realmente a Lajinha de Jaconé é uma excelente e desafiadora onda.

  2. Carlo Manfredi says:

    falar de Saquarema e não falar de Carlos Penho é um sacrilégio….existe um anario da historia do surf ,no Rio e na contra capa tem um carro com uma prancha de madeira colocada no banco de pé….esse cara esquecido que trouxe as primeiras pranchas de madeira para o Brasil,chamava Carlos Penho,e morava em Itaúna,Saquarema….uma pena a história se perder no tempo.

  3. Luiz Ignácio de Souza Guimarãees says:

    Muito grato ao site SURFGURU por escolher o vídeo do nosso canal SURF ON como exemplo de um dia clássico nos tubos da Praia da Barrinha. Na realidade esse pico já é conhecido há bastante tempo desde os nossos primeiros vídeos ainda sem o molhe de pedras: SORRISO. Agora atualmente foi descoberto dentro dos últimos eventos vencido pelo brasileiro Filipe Toledo nos CTs de 2018 e 2019, porém se forem nos nossos arquivos de vídeos do canal vocês poderão ver que os tubos mágicos e profundos já vem sendo registrados desde mais ou menos 2005 quando na época RAONI MONTEIRO fazia parte da elite e começava a desfrutar de todo o potencial dos BARRELS da Barrinha. Pra finalizar, mais uma vez o canal SURF ON agradece e fica lisonjeado pela escolha do vídeo, ALOOOOOHA!

  4. Fabiola says:

    Oiê. Não sou Surfista mas sou apreciadora desse belíssimo esporte. Matérias sobre Surf sempre dão dicas ótimas para viajantes apreciadores da natureza. Gostei de conhecer a história do Surf em Saquarema. A leitura dos comentários TB foi legal, trouxe informções associadas. Valeu

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