Adeus, J-Bay. Bem-vinda, Raglan! 🏄‍♂️🇳🇿

O mundo do surf foi pego de surpresa com o anúncio oficial da WSL: a icônica direita de Jeffrey’s Bay, na África do Sul, sai do calendário para dar lugar à lendária e interminável esquerda de Raglan, na Nova Zelândia.

Essa mudança não é apenas geográfica, mas uma verdadeira reviravolta tática. Se J-Bay era o templo das direitas, Raglan chega para equilibrar o jogo e dar aos goofies o palco de alta performance que eles tanto esperavam.

Entendendo os 5 Picos de Raglan

Raglan não é apenas uma onda, mas um complexo que oferece desde point breaks “world class” até beach breaks consistentes. Dependendo do swell, as três primeiras podem se conectar, criando uma das distâncias mais longas do planeta:

1. Indicators: Provavelmente a melhor e mais desafiadora onda da região. É a mais longa e rápida, dividida em duas seções: Outers (mais tubular e pesada) e Insides (com drops críticos e seções perfeitas para cutbacks). É onde o surf de alta performance realmente acontece.

2. Whale Bay: Localizada entre Indicators e Manu Bay, é uma esquerda mais tranquila que quebra sobre uma mistura de pedras e areia. É a onda ideal para quem busca uma linha mais fluida e um surf menos agressivo.

 

3. Manu Bay: O pico mais icônico e acessível. É uma esquerda longa que quebra rente às pedras vulcânicas. Funciona em todas as marés, mas fica mais oca e rápida na maré baixa. É a “pista de decolagem” perfeita para o surf moderno.

4. Ngarunui: Um beach break (fundo de areia) super consistente, com picos de direitas e esquerdas. Ao contrário dos points, funciona melhor na maré alta e é o lugar ideal para todos os níveis de surf, podendo render tubos excelentes nos dias bons.

5. Ruapuke: Localizado ao sul de Raglan, este beach break é o “imã de swells”. Se os points estiverem flats ou muito pequenos, Ruapuke provavelmente terá onda. A estrada até lá já vale a viagem pelo visual selvagem da costa neozelandesa.

Justiça para os Goofies: O Trunfo Brasileiro

Por anos, os atletas que surfam com o pé direito na frente sentiram o peso de um tour dominado por direitas (Bells, Margaret River, Snapper, J-Bay). A entrada de Raglan finalmente equaliza o número de esquerdas e direitas.

Isso favorece diretamente a legião de brasileiros da elite. Por enquanto, os nomes confirmados para o tour de 2026 que surfam de frente para as esquerdas são Gabriel Medina, Yago Dora, Ítalo Ferreira e Miguel Pupo. Mas a expectativa é que essa lista cresça: outros goofies brasileiros talentosos estão na briga e podem garantir sua vaga através do Challenger Series. Veremos o melhor ataque de frontside do mundo em uma pista de dança sem fim.

O Quiver Ideal: Motores para a Nova Zelândia

Raglan exige pranchas que combinem projeção para vencer as seções e controle absoluto para curvas em alta velocidade. Confira as máquinas indicadas:

  • Al Merrick CI Pro: É a escolha definitiva para quem busca performance pura. Por ser o modelo com mais rocker da marca, ela permite uma verticalidade extrema, sendo perfeita para encaixar manobras críticas no “pocket” da onda.

  • Lost Driver 3.0: Uma verdadeira máquina de competição. O seu grande trunfo é o equilíbrio entre velocidade e controle, permitindo que o surfista mantenha o “drive” mesmo em curvas muito alongadas.

  • DHD DNA: Se o seu foco é o power surfing clássico, essa é a prancha. Ela oferece o fluxo necessário para conectar as diversas seções de Manu Bay sem perder velocidade, com muita segurança na borda.

  • Chilli Shortie: Esta prancha brilha pela sua agilidade. É um modelo extremamente “vivo” sob os pés e de fácil adaptação, o que facilita trocas de borda rápidas e manobras improvisadas.

  • Sharpeye Synergy: A arma da explosão instantânea. Projetada para quem tem um surf progressivo, ela é ideal para gerar velocidade rápida em partes mais lentas da onda e finalizar as junções com muita pressão.

 

Cultura Local e Dicas de Viagem

Raglan mantém a essência de uma vila de surf autêntica e rústica:

  • Hospedagem: O Moa Stone Estate oferece conforto premium integrado à natureza, enquanto as casas em Whale Bay são ideais para quem quer acordar e já ver as séries entrando no point. Atenção: É proibido dormir em vans em locais públicos; utilize os campings autorizados.

  • O “Pulo do Gato”: Para entrar no line-up de Manu Bay sem remar quilômetros, os locais saltam das pedras no timing certo. Se o mar estiver muito grande, a entrada e saída pela rampa de barcos (boat ramp) é a opção mais segura.

  • Fora da Água: Visite o Museu do Surf, que detalha a história do pico desde o filme The Endless Summer, e a cachoeira Bridal Veil Falls (55m de altura).

  • Gastronomia: Não saia de lá sem provar o tradicional Fish and Chips servido no papel de jornal no porto — a recompensa clássica pós-sessão.

  • Custos: A Nova Zelândia é um país caro. O combustível tem um custo elevado, então planeje bem sua road trip.

  • Clima: Prepare o Wetsuit 3/2mm ou 4/3mm. A água é gelada, mas a recompensa de surfar uma das esquerdas mais longas do planeta vale cada gota.

A troca de J-Bay por Raglan marca uma nova era de equilíbrio técnico no tour. Preparem a torcida, porque o show dos brasileiros nas esquerdas da Nova Zelândia será histórico! 🇳🇿🤙

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Pranchas de Surf | Prancha Nova

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo