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Chilli Volume 2 – Analisando Pranchas

Chilli Volume 2 – Analisando Pranchas – 

Chegou a hora da Chilli Volume 2, modelo que inaugura a participação da Chilli Surfboards em nossa série Analisando Pranchas. Aqui você encontrará tudo o que precisa saber sobre este modelo de enorme sucesso da marca.

Depois de dezenas de análises de pranchas em nosso Blog, finalmente chegou a hora da consagrada fábrica australiana Chilli. Com diversos modelos de muito sucesso há pelo menos duas décadas, o modelo escolhido para esta análise é a Volume 2. Apesar de ser uma criação relativamente recente da Chilli, a Volume 2 vem conquistando os surfistas mundo afora. Confira nos parágrafos a seguir as características que fazem dela uma escolha mágica para as condições do dia a dia em diversas partes do mundo.

Parceria Com Mitch Coleborn

Como acontece em muitas fábricas de prancha, o desenvolvimento de novos modelos depende de um trabalho longo e de muitos ajustes. Isso acontece principalmente entre o shaper e seus atletas profissionais, mas na maioria das vezes existe um atleta que encabeça esse processo. Apesar de os surfistas profissionais serem as pessoas ideais para este trabalho, não são todos eles que têm esta facilidade em dar os feedbacks necessários para a evolução de um projeto.

No caso da Volume 2 não foi diferente, e nesse caso o shaper James Cheal teve a “sorte” de ter na equipe um cara chamado Mitch Coleborn. De fato existem poucos surfistas no mundo mais qualificados do que ele para liderar um projeto desenvolvimento de uma prancha de alta performance para ondas pequenas.

chilli volume 2

Mitch apareceu para o mundo com um surf explosivo e poderoso nos vídeos de surf ultra modernos de Kai Neville. Entretanto, desde então ele passou boa parte do tempo batalhando com surfistas de calibre muito menor e em ondas de qualidade muito menor do que sua aptidão e habilidade merecem. O árduo e muitas vezes temido QS da WSL (Qualifying Series) era uma realidade na vida do australiano. Embora ele nunca tenha criado amor pelas ondas normalmente abaixo da média nas etapas do QS, isso definitivamente serviu para uma ótima coisa, a criação da Volume 2.

Pensada Para o Dia a Dia

chilli volume 2

A Volume 2 foi feita sob medida para adicionar o máximo de performance possível ao seu surf do dia a dia. Muitos surfistas não têm a sorte de viver nas proximidades de ondas de alta qualidade que quebram com constância. Dessa forma, são as pranchas tipo a Chilli Volume 2 que ocupam a maior parte do nosso tempo na água, especialmente no Brasil, onde temos a predominância dos beach breaks.

Quando vemos um bom surfista quebrando as ondas em condições abaixo da crítica, isso nunca deixa de nos impressionar. Pois bem, é exatamente esta a proposta da Volume 2, ela foi projetada com o intuito de ser a ferramenta perfeita para você performar em ondas pequenas e médias sem perder o fator diversão.

Outline e Bordas

chilli volume 2

A Volume 2 é uma prancha relativamente simples em termos de linha. Como dissemos, ela é uma prancha de alta performance para ondas pequenas e possui algumas características que a fazem ser uma prancha única na linha da Chilli. Seu outline bem equilibrado e seu volume são muito bem distribuídos por toda a extensão da prancha. Ainda assim, ela esconde uma boa quantidade de volume no centro, ao redor da longarina, principalmente debaixo do peito. Isso entrega um ótimo poder de remada ao surfista e também faz a prancha manter o momento e a velocidade horizontais, essenciais na hora de ganhar seções rápidas das ondas.

Ela ainda conta com seu ponto mais largo bem centralizado e com uma rabeta round squash ligeiramente mais larga e de espessura padrão. Estas características entregam boa sustentação no pé de trás enquanto mantém um nível de responsividade ideal para respostas rápidas em ondas com pouca área. Suas bordas são médias, ligeiramente arredondadas do bico até o terço final, quando ali se tornam mais refinadas, oferecendo o equilíbrio perfeito entre soltura e engajamento, perfeitas para manobras de lip e rasgadas em partes críticas.

Concave

Esta prancha apresenta um single concave suave que começa a 12cm do bico e continua se aprofundando até antes das quilhas laterais. Entre elas encontramos um double concave moderado que se torna um single concave novamente depois da quilha central, na saída da rabeta. Esta configuração de concaves raramente encontrada nos modelos para ondas pequenas e médias foi pensada para que a prancha forneça grandes velocidades mesmo nas condições mais complicadas de mar.

Em suma, o single concave no início é responsável por gerar velocidade e sustentação sob o pé da frente e também por direcionar o fluxo d’água por baixo da prancha em direção às quilhas. Já o double entre elas oferece maleabilidade e soltura, direcionando o fluxo d’água para as laterais e aliviando a pressão na quilha central. Entretanto, a grande diferença dela para outros modelos de ondas pequenas como a Peri-Peri por exemplo é o concave na saída da rabeta. No caso da Chilli Volume 2, o single concave foi colocado ali para dar um impulso a mais na prancha e também oferecer mais drive e segurança no final das manobras. Diferentemente da Peri-Peri que conta com um vee no final da rabeta, o que deixa a prancha mais solta, mas também facilita a troca de bordas, coisa que é mais difícil de fazer com a Volume 2.

Rocker

chilli volume 2

A Chilli Volume 2 apresenta uma linha de rocker de entrada média, inclusive com os primeiros 12cm do bico bem curvados. Apesar de ser uma prancha pensada para ondas pequenas e médias, que na maioria dos casos tem rocker de entrada baixo, este modelo foi desenvolvido para entregar altíssima performance. Sendo assim, sua entrada de rocker faz com a prancha se encaixe perfeitamente em partes críticas das ondas, proporcionando tanto manobras de lip quanto no pocket da onda sem enterrar o bico.

Sua curva de rocker estagiada no centro da prancha permite que ela flua com velocidade e suavidade nas partes flat das ondas. Isso ajuda muito naquelas condições de ondas irregulares em que elas apresentam diferentes humores desde o outside até o inside, passando por seções em pé, seções mortas e seções curtas e explosivas. Por fim, o rocker de saída da Volume 2 é baixo, fazendo com que ela ganhe ainda mais velocidade e facilitando a performance e partes mais cheias.

Quilhas


Para uma prancha tão equilibrada, as quilhas ideais também devem ser algo dentro do que você já está habituado a utilizar. Nossa recomendação neste caso seriam as quilhas com uma construção leve e um pouco flexíveis como é o caso das Performance Core da FCS e das Honeycomb da Futures. Estas quilhas são feitas usando um processo de moldagem por transferência de resina de várias camadas. O padrão de flexão delas se estende progressivamente da base até a ponta, ajudando o surfista a manter o drive e a tração nas curvas. Este tipo de material é muito versátil e leve, podendo ser usado em uma grande variedade de condições.

Indicamos aqui os modelos AM1 e AM2, que são super versáteis e podem ser encontrados nas duas fabricantes.

Sensações

Talvez o fator mais significativo da Chilli Volume 2 esteja oculto. Muitas vezes vemos as pranchas de alta performance sob os pés de surfistas muitos talentosos, como é o caso do vídeo abaixo. Uma coisa bem comum que ouvimos muitas vezes é que estas pranchas não foram feitas para surfistas amadores de nível intermediário.

Este não é o caso da Volume 2, pois ela sim pode atender muito bem ao surfista intermediário. Principalmente aqueles que estão em franca evolução e buscando o próximo nível de surf. Ela é uma prancha leve, fácil de remar e que está sempre andando em alta velocidade. Além disso, ela oferece muita segurança e drive nas curvas, sendo fácil de movimentar em ondas entre 2 e 4 pés. Portanto, se você está buscando por uma prancha para o seu dia a dia, considere fortemente a Chilli Volume 2. Da mesma forma, encaminhe esta análise para aquele seu amigo que você acredita se encaixar perfeitamente nos características dela. Boas ondas!

 

 

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