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Punta Hermosa, Peru: Análise Do Pico

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Punta Hermosa, Peru: Análise Do Pico

Nossa série Análise do Pico volta ao Peru, mais precisamente à Punta Hermosa, umas das regiões mais constantes de surf no planeta. Nos parágrafos a seguir traremos tudo o que você precisa saber para armar sua surf trip para lá.

Em um país com uma costa imensa e cheia de ondas de norte a sul, não é de se estranhar que tenhamos vários artigos falando do Peru aqui em nosso blog. Alguns meses atrás falamos das perfeitas ondas de Chicama e Lobitos, além de outros picos de altíssima qualidade próximos a elas. Entretanto, a costa peruana tem muito mais a oferecer, e é para isso que estamos aqui novamente.

Fácil Acesso

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O distrito de Punta Hermosa é um dos quarenta e três que formam a Província de Lima, ele fica distante em torno de uma hora do aeroporto internacional. Por esta razão, é uma região muito frequentada pelos surfistas da capital nos finais de semana. Certamente sua principal característica é a constância, pois recebe bem todas as ondulações entre sul e noroeste durante o ano todo.

Para muitos brasileiros, Punta Hermosa é o primeiro destino internacional de surf na vida. Os motivos para tal são diversos, mas vale ressaltar o baixo custo da passagem aérea, a pouca distância – menos de 5 horas de voo de Guarulhos – e a enorme variedade de ondas. Além disso, devemos citar também a receptividade do povo peruano, a facilidade de acesso aos picos e a língua. Digo a língua porque apesar de não ser o Português, certamente nos sentimos mais à vontade falando “portunhol” com os hermanos do que inglês logo na primeira viagem para fora.

Cidade Surf

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Com ondas tão variadas e constantes, não é de se estranhar que o local seja repleto de ótimos surfistas. Este é o caso da campeã mundial de 2004, Sofia Mulanovich. Além dela, há muitos outros surfistas de extremo talento nesta área, portanto tenha paciência e bastante respeito por onde chegar. Apesar de haver muitas ondas em um pequeno espaço, os picos são bastante crowdeados, principalmente nos finais de semana.

Da mesma forma que acontece em outros picos que analisamos por aqui, como por exemplo Jeffrey’s Bay, Punta Hermosa vive muito em função do surf. Diversos negócios só existem por ali por conta da atração que as ondas do lugar criam nos surfistas de fora, gerando demanda turística e consequentemente empregos. Sendo assim, é natural que os nativos dali criem curiosidade pelo esporte, visto que muitas gerações cresceram no meio do surf e em contato com estrangeiros de todo canto do mundo. Um dos negócios de maior notoriedade entre os brasileiros é a Pousada do Luisfer, local que recebe os surfistas do nosso país com muito carinho desde os anos 80.

A cidade ainda conta com diversas opções de restaurantes típicos, onde após um longo dia de surf você poderá se deliciar com um ceviche fresco e uma bebida gelada enquanto contempla o pôr do sol.

Diversidade De Picos

Como dissemos anteriormente, a região de Punta Hermosa conta com diversas ondas para todos os gostos e níveis de habilidade. São mais de 30 ondas espalhadas por sua costa, entretanto 7 são os picos mais centrais e dos quais vamos falar aqui. Aliás, vale ressaltar aqui que a maioria dos surfistas que  vão para o Peru acabam reservando as primeiras noites em Punta Hermosa. Esta área serve como termômetro de ondulações, dessa forma, com o restante das noites de hospedagem em aberto, os surfistas ficam acompanhando a previsão e decidem se vão ao norte (Chicama/Lobitos) ou se ficam por ali mesmo. Uma coisa é certa, se o mar estiver pequeno em Punta Hermosa, dificilmente haverá boas ondas em outras regiões.

Caballeros

Caballeros tem este nome porque, no passado, homens e mulheres eram segregados em suas próprias praias. Neste caso, como o nome já diz,  Caballeros era onde ficavam os homens. Esta é sem dúvida a melhor e mais constante direita da região de Punta Hermosa. Ela é uma onda com várias seções distintas. Começa com um drop em pé e depois uma longa parede se abre por uma centena de metros. Neste percurso ela forma partes em pé e partes cheias, portanto uma boa leitura de onda faz toda a diferença neste pico.

Ela funciona melhor com ondulações de sul, sudoeste e oeste com tamanho entre 3 e 8 pés e período médio. Quebra legal em todas as marés, mas a melhor é a média. Prefere o vento leste terral. Seu fundo é irregular, uma mistura de pedras e areia, portanto cuidado com o inside, pode estar raso. A boa potência e a velocidade ideal para um surf de alta performance neste pico atraem diversos surfistas avançados e é pista de treino dos profissionais. No entanto, surfistas intermediários serão capazes de se divertir e desafiar nesta onda. Para chegar no outside a remada é longa pelo canal no meio da praia e as correntes podem ser fortes.

As ondas no Peru são mais fortes que na maioria dos picos do Brasil, portanto não tenha medo de usar equipamentos com um pouco mais de volume para um surf segura nas ondas de Punta Hermosa. Por ser uma onda de alta performance, com sessões por vezes rápidos e outras vezes cheias, prefira pranchas versáteis do dia a dia. Modelos como a Lost Sabotaj, Rusty Enough Said e a Pyzel Shadow podem ser muito boas tanto para Caballeros quanto para Señoritas, o próximo pico.

Señoritas

Localizada na outra ponta da praia de Caballeros, Señoritas atrai mais ondulação e quebra sempre maior que ela. Esta onda é uma esquerda de alta performance, também palco de treino de muitos surfistas. Suas ondas quebram em uma ponta de pedras no promontório sul da baía de Señoritas / Caballeros. Paredes longas e muito manobráveis, às vezes com seções de tubos, quebram melhor com swell de sudoeste entre 4 e 10 pés e período médio. No entanto, Señoritas aceita também as ondulações de verão que vêm de noroeste. A melhor maré é a média, mas quebra em todas elas. Prefere os ventos de nordeste que são terral. Cuidado na hora de entrar e sair pelas pedras, há muitos ouriços e cracas. A melhor hora para isso é na maré seca quando as pedras ficam mais expostas e visíveis.

El Paso

Pico de direitas volumosas, El Paso fico ao norte de La Isla. É uma onda que requer ondulações maiores para quebrar legal, mas quando quebra poder ser ao mesmo tempo divertida e desafiadora. Suas ondas são potentes e às vezes um pouco balançadas. Quebram sobre um reef de de pedras e podem segurar ondulações de até 12 pés. O melhor swell é o sul/sudoeste entre 6 e 12 pés e período alto. A melhor maré é a média, enchendo ou secando. Muito cheia e a onda fica balançada demais, muito seca e ela pode ficar curta. Definitivamente um pico recomendado apenas para os mais experientes, pois há pedras escondidas e o ato de entrar e sair d’água já é um desafio em sim. O melhor vento aqui é o leste/nordeste.

Por ser uma onda mais volumosa e balançada, melhor sempre utilizar pranchas maiores e com mais volume, que seja mais estáveis e seguras neste pico. Sendo assim, indicamos os modelos DHD Sweet Spot 3.0 e a Channel Islands Happy.

La Isla

A praia em frente ao resort principal de Punta Hermosa é ladeada por La Isla, uma ilha rochosa unida à terra por uma espécia de calçada. No meio da baía, quebram direitas divertidas no pico chamado La Isla. Suas ondas são mais lentas e amigáveis que outros picos da região, oferecendo faces limpas para manobras diversas. Algumas ondas mais longas, que chegam no inside, formam paredes íngremes e seções que podem até rodar uns tubinhos. Por ser uma onda para todos os níveis de surfistas, espere grandes crowds. La Isla quebra melhor com ondulações de oeste/sudoeste entre 3 e 8 pés e período médio, entretanto, também quebra com swells de noroeste no inverno. Funciona em todas as marés e fica mais perfeita com o vento nordeste.

Esta é uma onda que pode ser surfada por todos os níveis de surfistas, até mesmo iniciantes. Pranchas similares àquelas usadas em Caballeros e Señoritas funcionam bem também em La Isla. Suas ondas apresentam seções distintas e pedem equipamentos versáteis de alta performance como as Al Merrick OG Flyer para ondas até 3 pés e a Al Merrick Fever para ondas entre 4 e 6 pés.

Punta Rocas

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Certamente a onda mais conhecida e cobiçada da região e talvez uma das mais constantes do mundo. Pico super exposto à qualquer direção de ondulação entre sul e noroeste, Punta Rocas é exigente tanto no preparo físico quanto na leitura e performance do surfista. Este pico é um lugar consagrado para o surfe peruano e até mesmo mundial. Em Punta Rocas foram realizadas dezenas de etapas do circuito mundial de surf, e foi no ano de 1969, que o surfista peruano Felipe Pomar se sagrou campeão mundial de surfe, sendo o primeiro sul-americano a alcançar tal feito.

Falando da onda em si, ela é super volumosa e quebra sobre uma bancada de pedras. A remada para chegar no pico é bem longa e cansativa, tanto na entrada quanto depois de cada onda surfada. Por ali quebram direitas e esquerdas, contudo, as direitas são a melhor e mais longa opção. De fato é uma onda bem longa e de certa forma um pouco cheia, mas longe de ser gorda. Ela carrega muita potência e proporciona curvas grandes na borda e momentos de alta velocidade. Funciona melhor com swell de sudoeste entre 6 e 10 pés e período alto, mas sempre tem uma onda surfável, independente do tamanho e direção da ondulação. Prefere maré média, entretanto funciona com todas as marés. O melhor vento é o leste/nordeste suave.

Por conta do volume de água da onda e pelas longas remadas, o ideal são os equipamentos com mais área de bico, que o ajudem a entrar nas ondas e também com rabetas round, para realizar curvas mais longas com segurança e drive. Modelos como a FireWire Next Step e a Chilli Faded Ambas entregam um surf rápido, consistente e principalmente seguro.

Kon Tiki

A onda de Kon Tiki está localizada no meio da baía de La Isla, distante 500 metros da costa e delimitada por Punta Rocas ao sul e por La Isla ao norte. Ela é uma espécie de parcel e quebra sobre uma laje de pedras em águas profundas. Por razões óbvias, não se arrisque nesse pico se não estiver nas suas melhores condições físicas e com equipamentos ideais. O melhor mesmo é ter o suporte de um jet-ski ou barquinho zodiac.

As ondas neste pico quebram tanto para a direita quanto para a esquerda. São longas, fortes e imprevisíveis, pois nem sempre quebram no mesmo local e é questão de tempo tomar uma série na cabeça. Esta onda só quebra com ondulações grandes, a partir dos 8 pés e segura ondas até os 15 pés tranquilamente. O melhor swell é de sudoeste com mais de 10 pés e período acima dos 12 segundos. Suas ondas quebram com qualquer maré e o melhor vento é o leste. As pranchas recomendadas para surfar em Kon Tiki são as semi-guns ou até guns, dependendo do tamanho do mar. Uma coisa é certa, você precisará de uma prancha com tamanho em torno de 7’6 até 9′ para se dar bem neste pico. Sendo assim, recomendamos o modelo Semi Gun da Sharp Eye.

Pico Alto

Uma das maiores ondas das Américas, Pico Alto é reservada apenas para aqueles surfistas mais atirados. Começa a quebrar com 10 pés e segura ondas de até 30 pés ou mais. É um pico muito tradicional e procurado pelos big riders do mundo todo quando um enorme swell de sul/sudeste pinta nos mapas de previsão. Pico Alto é primordialmente uma direita, apesar de rolarem algumas esquerdas também em ocasiões específicas. Suas ondas quebram a 1,5km da costa e é essencial que a empreitada até seja acompanhada de barcos e jet-skis de suporte por questões de segurança.

As melhores ondulações para Pico Alto são de sudoeste acima dos 12 pés e período alto, quanto maior o período melhor. Vento leste/nordeste é o melhor e quebra com todas as marés. Para surfar na remada as ondas de Pico Alto são necessárias pranchas gigantes, as chamadas guns, de preferência acima de 8’6″. Se você é um desses kamikazes dispostos e dropar as bombas por lá, recomendamos o modelo de prancha Padillac da Sharp Eye.

Considerações

Esta região da costa peruana é bastante árida, raramente chove. Mas não pense que haverá sol todo dia por conta disso. Na verdade, há uma neblina alta constante que mantém o dia com cara de nublado, apesar de claro. São poucas nuvens no céu, mas sem aquele brilho do sol que deixa tudo mais quente e bonito. Importante lembrar de levar uma boa roupa de borracha de 3.2mm e mangas longas, pois a água é bem fria e o vento pode deixar a sensação térmica ainda pior. Nos meses de inverno, uma roupa de 4.3mm é recomendada, juntamente com botinhas e até um capuz para proteger os ouvidos do vento. Lembre-se de utilizar leashes mais grossos que os utilizados no seu dia a dia no Brasil, afinal, segurança é tudo.

No mais, desfrute desse país maravilhoso e da sua cultura incrível. Aproveite para passear pela capital Lima e conhecer o bairro de Miraflores e se puder, dê uma esticada até o Sítio Arqueológico de Pachacámac, localizada no distrito de Lurin. Para os povos antigos, Pachacámac era considerado o Deus criador da Terra. A construção deste local data do ano 200 A.C. Durantes séculos o templo foi ocupado por diversos povos como os Wari (650 D.C.), os Ischma (1200 a 1450 D.C) e Incas (1450-1532 D.C.), tendo sido abandonado com a chegada dos colonizadores espanhóis.

Se você curtiu esta análise, encaminhe estas informações para seus amigos os quais gostaria de levar contigo numa surf trip para lá. Sem dúvida será uma experiência inesquecível e muito desafiadora, que costuma ser marcante. Sua confiança, coragem e atitude serão outras após uma surf trip para Punta Hermosa.

 

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