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Surf Em Margaret River: Análise Do Pico

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Surf Em Margaret River: Análise Do Pico –

De uns anos para cá, a pequena cidade de Margaret River, no oeste da Austrália, se tornou mais conhecida por conta dos campeonatos da elite do surf mundial e é hoje nosso alvo na série Análise Do Pico.

Os primeiros surfistas do estado de Western Australia foram os residentes de Perth, sua capital. Mas por conta de sua posição geográfica e de algumas ilhas que bloqueiam boa parte das ondulações, as ondas da cidade normalmente são fracas e inconsistentes. Por conta disso, alguns surfistas resolveram se aventurar para o sul atrás de melhores ondas, isso no final dos anos 50.

Como era de se esperar, eles ficaram chocados quando deram de cara com ondas de verdade, ondas de tamanho e energia comparadas às do Havaí. Esses pioneiros surfistas enfrentaram ondas enormes com equipamentos grosseiros, sem cordinhas ou ou roupas de borracha nas frias águas da região de Margaret River.

Se nos dias de hoje aquela área é pouco habitada, naquela época era uma costa praticamente inóspita, apenas habitada por alguns fazendeiros e pescadores, com raríssimos surfistas locais. Com o passar dos anos, naturalmente houve uma procura cada vez maior pelas ondas da área e comunidades de excelentes surfistas locais se estabeleceram em pequenos povoados como os do Prevelly Park, Gracetown e Yallingup por exemplo. Exemplo disso são os consagrados Dave Macaulay, Taj Burrow, Jake e Paul Paterson, Jack Robinson, Jay Davies, Damon Eastaugh, Mitch Thorson, Courtney Gray, Brett e Ryan Hardy, Dino Adrian, entre outros.

Águas Poderosas

Os picos de águas profundas de Margaret exigem uma leitura muito hábil, excelente preparo físico para longas remadas e vacas pesadas que seguram o surfista por muito tempo debaixo d’água. Além disso, a grande maioria dos picos têm fundo de pedras, sendo alguns super rasos e perigosos. Existem apenas duas ondas, dentre as mais de quarenta, que quebram exclusivamente sobre fundo de areia. Sendo assim, esse destino de surf definitivamente não é para os iniciantes, recomendado apenas para os mais experientes.

Ímã De Swell

Os sistemas de baixa pressão que se movem sob a África do Sul e seguem em direção ao leste através dos Oceanos Antártico e Índico Sul são a fonte mais comum e significativa de ondulações na região. De fato, esta área é muito exposta não apenas aos swells mas também aos fortes ventos, os quais se desenvolvem a partir da interação entre os sistemas de baixa pressão e uma área de fuga de alta pressão, criando fortes corredores de ventos oeste, sudoeste e sul. Para ilustrar, usamos as imagens do site norte-americano surfline.com/ que fez uma brilhante análise sobre esse assunto.margaret river Normalmente nos primeiros dois dias de swell, estes ventos não dão trégua e atrapalham a formação das ondas. Entretanto, quando eles se acalmam e viram terral é que o show começa. As poderosas ondas quebram tubulares e perfeitas em muitos picos, agraciadas pelo terral que as deixa ainda mais buraco e desafiadoras.

margaret riverComo dissemos, Margaret River é bem exposta e tem uma janela enorme para receber qualquer ondulação entre sul e noroeste, sem obstruções no caminho. Todavia, o melhor ângulo de ondulação para grande parte dos picos é o sudoeste. Outro fator importante é que esta área tem uma plataforma continental bem curta, portanto as bancadas recebem as ondulações com toda potência e energia.

Variedade De Picos

mapa margaret riverÉ até difícil imaginar que em uma cidadezinha rural que vive do turismo e principalmente das vastas plantações de uvas e suas vinícolas, poderia haver tantas ondas diferentes. Como a maioria das cidades com ondas boas, não é mais aquela Margaret River de décadas atrás, portanto, haverá crowd de excelentes surfistas locais nos principais picos. Eles são receptivos se você souber chegar, portanto mantenha-se discreto, espere e respeite a vez e principalmente evite de chegar em mais de 3 pessoas.

Para os que querem explorar e surfar sem ninguém por perto, sim, ainda existem ondas quebrando sozinhas por lá. Não que elas não tenho sido descobertas, longe disso, mas quando há condições clássicas por lá, os melhores picos e de mais fácil acesso atraem a maioria dos surfistas. Portanto, se tiver algum amigo local que esteja disposto a revelar alguns segredos da área, que são acessados apenas de 4×4, considere-se muito sortudo. Ainda assim, deve-se colocar na balança os riscos de surfar em locais inóspitos, pois esta região é notória pela constante presença de tubarões brancos.

Picos Do CT WSL

Como mencionamos, a variedade de picos nesta área é enorme e não teríamos como falar de todos eles. Portanto, escolhemos os picos nos quais a WSL realiza seu evento anual do CT, a elite do surf mundial.

Main Break (Surfer’s Point)

main break

Como o nome já diz, esse é o principal pico de surf da região. É uma espécie de termômetro, pois fica próximo à cidade e dá um panorama geral das condições de mar. Por ali é possível saber, ou pelo menos ter uma boa ideia, de como estão quebrando os demais picos. Além do mais, na região do Prevelly Park, onde fica o Main Break, há pelo menos outros 8 picos que podem ser acessados a pé.

O Main Break, ou Surfer’s Point, forma na verdade duas ondas. É o que os gringos costumam chamar de A-Frame, pois tem um pico principal e se divide entre esquerdas e direitas em forma de triângulo. A direita é mais em pé e oferece faces íngremes e fortes para 3 a 4 manobras ou até mesmo um tubo no começo. Muito cuidado com a seção final, pois ela fecha em cima de uma laje de pedras cheias de algas e pode oferecer grandes riscos de lesões.

A esquerda abre muito, é super longas, mas também um pouco mais cheia. Nos dias gigantes o free surf acaba sendo quase que exclusivamente da esquerda, pois ela segue abrindo baia a dentro e raramente fecha.

A remada para chegar ao pico leva mais ou menos 8 a 10 minutos e pode ser feita pelo canal da esquerda. Uma vez lá fora, fique muito atento ao posicionamento dos locais, pois eles sabem exatamente o que estão fazendo. Não é raro que apareçam séries de 10 pés varrendo lá de fora em dias que as ondas normalmente não passam dos 8 pés.

As melhores condições para o este pico acontecem com swell acima dos 6 pés de sudoeste e período médio/longo. Os melhores ventos são o leste e o nordeste e funciona em qualquer maré, mas melhor na média. Por ser uma onda oceânica, tenha sempre pranchas com bastante volume e leashes grossos. Recomendamos os modelos DHD Sweet Spot 3.0 e Pyzel The Ghost para o Main Break, de preferência em tamanhos maiores do que está habituado a usar.

The Box

the box

Um slab assustador. Assim podemos definir este pico. Suas ondas são extremamente tubulares para a direita e quebram sobre uma rasa bancada de pedras. Fica na ponta norte da mesma praia do Main Break e atrai alguns dos surfistas mais atirados do mundo. The Box é uma onda para poucos. Mesmo os melhores surfistas do CT já passaram perrengues grandes por ali, portanto só se aventure por lá se você estiver muito confiante e principalmente se tiver nível bem avançado de surf. Você pode pegar o tubo da vida, assim como pode sofrer consequências desagradáveis.

Esta onda tem um drop ultra buraco, por isso não se deve – e nem tem como – querer dropar bem no pico, na ponta mais alta do triângulo. O drop em The Box é feito por baixo do lip, normalmente por trás da primeira seção, já por dentro do tubo. Sua parte final muitas vezes esmaga e forma um degrau, dificultando ainda mais a saída. Uma vez completada, a onda termina num canal profundo e bem seguro.

As melhores condições para The Box são swell de sudoeste entre 5 e 10 pés e período médio/longo. Só quebra da meia maré para a cheia, praticamente insurfável na maré seca. O melhor vento é o leste suave.

As pranchas ideais para essa onda são aquelas com muito poder de remada, para entrar rápido na onda, e que tenham uma performance segura e sólida dentro dos tubos. Ao contrário do Main Break, elas não podem ser muito compridas, para que possam se encaixar no espaço da onda sem perder mobilidade. Recomendamos os modelos Sabotaj da Lost e Happy Traveler da Al Merrick para um surf seguro em The Box.

North Point

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Para muitos, esta é uma das melhores direitas do mundo. Quando vemos imagens de dias clássicos por lá entendemos o porquê. Esta onda é o sonho de qualquer surfista avançado e profissional que ame pegar tubos largos, longos e pesados. Ela começa com uma seção tubular logo no drop, dá uma desacelerada no meio do caminho e depois roda novamente na seção de baixo ainda mais quadrada e intensa. Alguns surfistas mais habilidosos e principalmente bons conhecedores do pico consegue emendar a onda toda por dentro, em um único tubo.

As ondas começam quebrando de frente para uma ponta de pedras e o crowd geralmente é intenso. A baía de Cowaramup, onde fica North Point é muito bonita e calma, mas em dias de grandes ondulações se transforma. Do seu lado oposto fica uma outra onda chamada South Point, uma das mais constantes da região.

As melhores condições para North Point são swell de sudoeste/oeste entre 6 e 12 pés e período longo, acima dos 12 segundos. O vento terral é o leste e funciona bem em todas as marés, sendo a seca enchendo a melhor. 

North Point exige pranchas com alto poder de remada e ótimo desempenho nos tubos. Muitos surfistas inclusive preferem surfar de quadriquilha para terem mais velocidade. As mesmas pranchas para The Box podem ser usadas tranquilamente em North Point, mas suba um pouco o tamanho para ter um pouco mais de volume. Além delas recomendamos também os modelos Sharp Eye #77+ e Chilli Faded 2.0, a qual é exaustivamente usada pelo local Jay Davies nessas ondas.

Se você gosta de condições pesadas, ondas desafiadoras e perfeitas, esta trip é uma das melhores que podem existir. Separe seu long john novo, botinhas, leashes extras, pranchas extras e muita disposição. Além do surf, desfrute dos excelentes vinhos em passeios nas vinícolas locais e também explore as belíssimas cavernas localizadas na Caves Road. Temos certeza de que será uma trip inesquecível.

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