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Teahupo’o, Tahiti: Análise Do Pico

Teahupo’o, Tahiti: Análise Do Pico

Depois de dezenas de artigos sobre picos de surf clássicos ao redor do globo em nossa série Análise do Pico, chegamos finalmente à Teahupo’o, uma das mais perfeitas e temidas ondas do mundo.

Abençoadas com uma beleza natural incrível, clima quente e muitas ondas, as ilhas da Polinésia Francesa atraem turistas de todos os tipos, principalmente aqueles apreciadores da natureza e da tranquilidade. No entanto, em meio à essa natureza idílica do arquipélago encontra-se uma onda poderosa, tão perfeita quanto ameaçadora, mais conhecida como Teahupo’o.

Teahupo’o fica localizada próxima à costa da cidade de Taiarapu, na principal ilha do país. Esta ilha é composta por dois vulcões adormecidos são ligados pelo istmo de Taravao. Tahiti Nui (Nui = grande) é a principal parte da ilha, onde fica a capital Papeete e seu aeroporto, enquanto Tahiti Iti (Iti = pequeno) é a parte menor, justamente onde fica localizada a famosa onda de Teahupo’o.

A pacata cidade fica ao longo do canto sudoeste de Taiti Iti. Traduzido literalmente como “cabeça quente”, o filho do rei Teahupo’o uma vez vingou a morte de seu pai banqueteando-se com o cérebro do filho de seu assassino. A cidade de Teahupo’o manteve com veemência sua herança cultural, apesar do afluxo de turistas, que são confrontados com uma variedade de artesanato local. A ilha é cercada por recifes de corais que recebem ondas abundantes o ano todo.

Com uma plataforma continental nula, não há terra no caminho das ondulações, então o Tahiti desfruta de ondas de poder havaiano, principalmente entre os meses de abril e setembro, inverno no hemisfério sul.

Só Para Experts?

Certamente você já ouvir dizer – com razão – de que Teahupo’o é uma onda apenas para surfistas experts no assunto. De fato isso não deixa de ser uma verdade. Principalmente naqueles dias com ondas acima dos 6 pés e mais ainda quando tem muito oeste no swell. Sem dúvida nesses dias o mar é apenas para os surfistas mais habilidosos e corajosos, os quais detêm experiência, conhecimento o know-how suficientes para se dar bem naquelas condições.

Mas se você é um bom surfista, que pega seus tubos, mas não se considera um expert, tenho boas notícias. Com uma combinação de ondulações de sul e sudoeste, surfar Teahupo’o é uma das experiências mais sublimes disponíveis para o surfista moderadamente talentoso. Em dias de ondas até o 5 pés da ali, com a ondulação predominando mais de sul/sudoeste, é possível que bons surfistas peguem os melhores tubos de suas vidas em um dos cenários mais paradisíacos que você pode imaginar.

No mais, deixe os outros mares para os destemidos e craques no assunto, assista ao show do canal, mas muito cuidado, até ali o caldo pode entornar se uma grande série surgir no horizonte com predomínio da direção oeste. Vamos falar melhor disso em seguida, acompanhe. Por enquanto, confira abaixo o áudio enviado pelo nosso amigo freesurfer profissional Rodrigo Cutelo, falando um pouco sobre Teahupo’o.

cutelo teahupoo
Rodrigo Cutelo, Teahupo’o. Confira seu depoimento abaixo, aperta o play!

Formação Geológica


Séculos atrás, a água doce das montanhas fluía para o oceano, erodindo o recife de coral e criando o que é conhecida hoje como Passagem Havae. Esta passagem está localizada onde termina a estrada pavimentada da cidade, daí seu nome inicial, “O Fim da Estrada”. O canal em Teahupo’o não é realmente um canal, já que a onda se curva e segue em direção a um recife seco abaixo do nível do mar.

A passagem onde quebra a onda de Teahupo’o apresenta uma mudança drástica na profundidade d’água. Sendo assim, ondulações poderosas navegam vindas de profundidades oceânicas e encontram os recifes rasos abruptamente, fazendo com que as ondas se elevem sobre a bancada, formando lips grossos que se arremessam com tal velocidade que é preciso dropar sob ele para evitar ser lançado direto no coral.

A Onda

O Tahiti tem uma queda de fundo do mar bastante uniforme, mas bem íngreme, das águas rasas para as águas profundas. O fundo cai para mais de 350 metros de profundidade a apenas quinhentos metros da costa e mais 1,5km de profundidade a apenas cinco quilômetros da costa. Como resultado, as ondas não encontram o fundo do oceano até que estejam a cerca de oitocentos metros da costa, permitindo que a energia do oceano marche desimpedida para o reef de Teahupo’o. Dessa forma, os swells convergem e descarregam sua energia toda em cima do reef .

A batimetria local em torno de Teahupo’o é o que separa esta seção de recife de todas as outras existentes na costa Tahitiana. Esta característica na verdade a define na tênue linha entre o surfável e o insurfável. Os ondulações que chegam ali crescem rapidamente das profundezas, amplificando-se na borda de uma plataforma de recife de corais super rasa.

A plataforma continental da região apresenta uma inclinação na proporção de 1:1 (um metro na vertical para um metro na horizontal), o que é bastante abrupta. Entretanto, mais ou menos em torno de 7 metros de profundidade, já perto do pico de surf, esta inclinação relaxa um pouco para uma proporção de 1:3 (1m na vertical para 3m na horizontal), permitindo que a onda seja surfável.

Condições

Tempestades distantes, como as do Oceano Índico Sul e do Oceano Antártico, enviam as melhores ondulações para o Tahiti. Essas ondulações são mais fortes de abril a outubro, quando os sistemas de baixa pressão de inverno desenvolvem-se na direção leste/nordeste.

Seguindo o caminho do grande círculo sob a Austrália, os swells dessas tempestades encontram uma passagem estreita entre a Nova Zelândia e a Antártica, levando de cinco a dez dias para atingirem as bancadas da polinésias. Devido à grande distância, essas ondulações de longo a médio período podem ser inconsistentes.

Em contrapartida, há também aquelas tempestades que se forma mais próximas do Tahiti. Estas acontecem em áreas abertas e super expostas, sem nenhum tipo de bloqueio para as ondulações que elas formam. Sendo assim, são estes swells, com períodos um pouco mais baixos, os mais consistentes para Teahupoo. Esta região é certamente a que produz os swells mais significativos de Teahupo’o, inclusive aqueles gigantes que acostumamos a ver.

Além das ondulações de inverno, há também aquelas que ocorrem entre os meses de novembro e abril, as quais são geradas por ciclones. Elas normalmente têm períodos curtos e duram poucos dias, além de serem menores e com menos energia que os swells poderosos de inverno. Portanto, apesar de serem raros e de difícil previsão, os swells de ciclone apresentam sim um bom potencial para as ondas Tahitianas.

Melhores Combinações


Depois de todas essas explicações, você deve estar se perguntando “mas enfim, quais as melhores condições para surfar Teahupo’o?”. Como dissemos anteriormente, a melhor direção de swell é a sul/sudoeste, com ângulo entre 190 e 228 graus. Quanto mais oeste no swell, mais difíceis ficam as ondas, formando um cotovelo no famigerado “bowl de oeste”, complicando demais a saída do tubos.

O período ideal para Teahupo’o é entre 12 e 15 segundos, que pode ser considerado médio para os padrões do Oceano Pacífico sul. Ela funciona bem em todas as marés e o vento perfeito é o nordeste, aceitando até o leste/sudeste suave.

Por fim, não podíamos deixar de recomendar alguns modelos de pranchas ideais para surfar os tubos de Teahupo’o. Leve pranchas de tamanhos médios e grandes, quantas você puder, mas no mínimo três, porque elas quebram muito por lá, a onda não perdoa. Nesse sentido, indicamos os modelos Happy Traveler da Al Merrick, 77+ da Sharp Eye, The Ghost da Pyzel e Double Up da Lost.

Lembre-se também de levar leashes grossos e compridos, protetor solar, botinhas de reef, kit de primeiros socorros e muita disposição. Tenha responsabilidade, conheça e respeite seus limites e divirta-se muito. Boa viagem!!

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