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Design de Pranchas 101

Design de Pranchas 101

 

Você sabe o que faz uma prancha funcionar do jeito adequado para as condições de surf e para o surfista? Nesse artigo vamos explicar quais conceitos de design estão por trás da mecânica de cada prancha e o porquê cada uma funciona de um jeito diferente.

Em nossos textos em que falamos sobre cada um dos modelos e da forma como eles funcionam, frequentemente fazemos referência à palavras como curva de rocker, outline ou então concaves e convexos (como nesse aqui da Lost – Driver 2.0). Este documento tem o objetivo de tornar mais claros esses conceitos técnicos de design e esclarecer como cada um efetivamente influencia no surf. No artigo vamos referenciar conteúdos mais aprofundados para quem se interessar em descobrir mais. 

 

Curva de Rocker

Vamos começar pela característica individual que mais influencia no funcionamento da prancha, mas que pouca gente leva em consideração: a Curva de Rocker.

O rocker, como também é chamado, é a curva da prancha quando observada de lado. O rocker se conecta diretamente com a velocidade e manobrabilidade da prancha. Com a regra geral sendo que com mais rocker maior a manobrabilidade e quando menor o rocker maior a elevação e consequente geração de velocidade. 

~Curva de rocker da Happy da Channel Islands (medido pelo fundo da prancha)

O rocker é dividido entre rocker do nose e rocker do tail (entrada ou saída respectivamente) e as variações de rocker tem efeitos diversos na hidrodinâmica do shape, os principais são:

Nose: poder de remada, manobrabilidade (redução da área de borda), propensão a embicar em mares com mais curva e geração de velocidade.

Tail: engajamento com a face da onda, capacidade de engajar as bordas e geração de velocidade.
É interessante pontuar que os efeitos principais (Manobrabilidade e poder de remada) se tornam inversamente proporcionais.

~Tutorial de design de pranchas “Surfing Explained”, Surf Simply. Ative as legendas nas configurações (disponíveis em português).

Logo, à medida que você aumenta o rocker da prancha, você ganha mais manobrabilidade e melhor encaixe da prancha ao dropar uma onda cavada e consequentemente perde em remada. Isso se deve ao fato de que aumentando a curva de rocker, se cria bloqueio do fluxo natural da água na sua prancha, e também mais turbulência no escoamento durante a remada, gerando assim mais arrasto e dificuldade em se deslocar. 

Da mesma forma, ao suavizar o rocker da prancha, você ganha poder de remada pelo simples fato do fluxo de água que passa pelo fundo da sua prancha ser melhor direcionado. O mesmo acontece quando se está de pé na prancha, o fluxo da água é otimizado quando a curva de rocker é suave e prejudicado quando é agressiva.

É um atributo importante a considerar ao escolher a prancha a partir do tipo de onda. O senso comum de que mares mais gordos e deitados, se adequam bem a pranchas com rocker suave, pois a geração de energia é um problema nessas condições que pode ser facilitado com esse atributo de design. Já ao analisar uma onda cavada e poderosa, a geração de velocidade não é mais um problema, sendo mais importante o controle da mesma, a sensibilidade da prancha e o encaixe da prancha em ondas tubulares no momento do drop ou cavada, evitando que a prancha embique.

Outro ponto importante para se analisar o rocker da sua prancha é se ele segue contínuo ao longo de toda a prancha ou se ele tem um ponto estagiado no meio. Um rocker contínuo vai fornecer ainda mais fluidez, manobrabilidade e segurança para um drop mais crítico, enquanto o rocker estagiado no meio vai ajudar na geração de velocidade nas partes mais flats da onda.

~curva de rocker estagiada vs curva de rocker contínua. Fonte: Surfing Wiki.

 

Outline

Outline consiste no desenho do traçado externo da prancha quando olhamos para a prancha com uma visão frontal. Assim como o Rocker, para uma compreensão completa sobre o outline, é necessário dividir a análise em outline frontal e outline traseiro. 

~Curvas de Outline da Happy da Channel Islands.

Outline frontal-

Mais largo: Maior poder de remada e poder de planagem, porém menor capacidade de pivotar e menor possibilidade para surf de alta performance por causa das bordas estendidas.

Mais fino: Menor poder de remada e planagem, porém maior liberdade de movimento(menos borda em contato com a água), para surf de alta performance. 


Outline traseiro-

Mais largo: mais elevação (e geração de velocidade) e poder de planagem, porém menor engajamento com a água e maior dificuldade de controlar velocidade. 

Mais fino: Menor elevação e poder de planagem, porém maior engajamento com a água e capacidade de controle de velocidade.

Alguns Outlines tem sessões bem paralelas e outros seguem uma curva contínua para o outline.  Esse entendimento também é importante ao analisar a funcionalidade da sua prancha. Quanto mais paralelo for o outline, mais superfície de borda vai estar conectada com a água, o que ajuda na geração de velocidade ao trabalhar a prancha na parede da onda. Em contrapartida você perde liberdade de movimento, com todo esse engajamento de borda, resultando em uma diminuição de manobrabilidade.

~Bordas paralelas vs bordas curvadas. Fonte: Surf Simply.

 

FUNDO

O fundo das pranchas de surf servem essencialmente para controlar a direção do fluxo de água que ocorre quando você imprime pressão e movimento sobre a prancha. Geralmente, as configurações de fundo miram em velocidade ou manobrabilidade, interagindo com as outras características da prancha para obter determinado resultado.

As variações de fundo de pranchas são quase infinitas, podendo ser classificados em côncavos, convexos ou planos:

Fundos côncavos tendem a direcionar a água em direção à saída da rabeta. (Single concave, double concave)

Fundos convexos tendem a direcionar a água em direção aos lados da prancha.(Vee, rolled vee)

Fundos planos tendem a não direcionar a água, fazendo com que ela corra tanto em direção à rabeta quanto em direção aos lados da prancha. (flat)

~Configurações de fundo. Fonte: Surf Simply

Para garantir que a prancha funcione de acordo com seu propósito, shapers utilizam variações de profundidade, tipos e posicionamento dos contornos do fundo da prancha. 

Por exemplo, um template muito utilizado para pranchas de alta performance é o Single to Double. Que combina um concave único na parte frontal da prancha com dois concaves separados pela longarina na parte traseira, fazendo com que quando surfando com o pé da frente, o surfista gere máxima velocidade e quando surfando com o pé de trás, o engajamento de borda seja facilitado e a velocidade seja mantida durante as manobras.A distribuição do Fluxo na região das quilhas causada pelo Double Concave ajuda a deixar a prancha mais manobrável, pois diminui a resistência gerada pela fluxo d’água, em dois canais, facilitando assim o movimento da prancha ao aplicar pressão no pé de trás. Enquanto o Single concave fornece sustentação gerando mais velocidade no momento que você trabalha a área do single concave com o pé da frente. À medida que a velocidade aumenta em função do concave, a manobrabilidade tende a diminuir, por isso é muito importante observar esses contornos do fundo da prancha, e escolher as características que mais se adequam ao tipo de onda que você vai surfar.

 

Bordas

O fluxo de água gerado pela parede da onda passa pelo fundo da prancha e envolve as bordas. Esse engajamento da borda com a água é uma das principais características que mantém a sua prancha na linha da onda, ao contrário do que a maioria acredita ser em função das quilhas.

As bordas definem controle, manobrabilidade, geração velocidade e flutuação.

Bordas muito volumosas dificultam o engajamento, obrigando o surfista a usar somente o fundo da prancha. 

Bordas Finas demais podem não prover a sustentação necessária, tornando a prancha menos tolerante a erros.

As bordas nunca vão ter a mesma espessura ao longo de toda a prancha. seu tamanho aumenta ou diminui de acordo com a região e também a partir do modelo da prancha. o que nos leva ao a falar do último atributo de design, o FOIL.

Além disso, o formato das bordas também influencia em como a prancha vai surfar, elas podem ser redondas (box) ou anguladas (faca). Bordas box permitem que o surfista tenha mais margem para distribuir o peso, ou seja, torna a prancha mais amigável e evita que ela enterre as bordas em qualquer erro de equilíbrio. Já as bordas faca tendem a ter o efeito oposto, tornando a prancha mais arisca e responsiva.

 

Foil

Perfil da prancha e como a distribuição de volume acontece da rabeta ao bico.

O Foil é definido pela angulação de rocker de fundo em combinação com o rocker do topo. Sua configuração define controle, aceleração, sustentação, e sensibilidade para manobras. Uma prancha propositalmente terá diferentes espessuras de borda, pois essa variação em regiões específicas da prancha podem gerar resultados pretendidos no seu modelo de prancha.

Por exemplo: espuma concentrada na região do bico até o peito do surfista ajuda muito para uma remada poderosa, da mesma forma que se essa espessura seguir constante até a rabeta, a prancha vai se tornar muito dura e com pouco drive. Por isso, é comum observar uma espessura consideravelmente menor na região da rabeta quando comparada ao meio da prancha.

 

Conclusão

Como surfistas, sempre buscamos evoluir nesta prática que tanto nos cativa. Buscamos uma rotina mais saudável, estar cada vez mais dentro d’água surfando, assistimos a vídeos e filmes dos nossos ídolos. Ao longo de toda essa jornada outro fator primordial para o desenvolvimento contínuo e mais natural é ter o equipamento certo, para as condições certas. Aqui no pranchanova.com nós temos como uma de nossas missões entregar cada vez mais esses aprendizados para a nossa comunidade, com o objetivo de ter um papel fundamental na compreensão das suas próprias necessidades no Surf

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