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Sharp Eye Storms: Analisando Pranchas

Sharp Eye Storms: Analisando Pranchas –

A Sharp Eye Storms é o alvo da vez na nossa série Analisando Pranchas. Neste artigo vamos mostrar detalhes deste modelo, como ele foi desenvolvido e conquistou o Top da WSL Kanoa Igarashi.

Novos Modelos

A cada temporada que passa vemos novos modelos de pranchas serem lançados mundo afora. As principais fábricas do planeta estão sempre em busca de desenvolver novos modelos os quais atendam às necessidades de seus atletas. Normalmente esse desenvolvimento passa por fases que duram meses. Partem de uma troca de ideias entre shaper e surfista, passam por vários protótipos que são testados em diferentes tipos de mar até que, depois de muito feedback, chegam ao produto final para lançamento.

Geralmente, todo esse trabalho é feito com atletas que são patrocinados pela marca e que buscam evoluir seu surf e estreitar ainda mais a relação com o shaper. Além disso, pranchas que levam o nome do atleta podem render bons montantes aos bolsos do surfista, advindos de royalties sobre as vendas. O que não é tão comum é um modelo de prancha surgir depois de um surfista patrocinado por outra marca validá-lo. Pois bem, o surgimento da Sharp Eye Storms aconteceu mais ou menos assim, meio que por acidente, e de fato mudou a vida do Kanoa Igarashi.

Sharp Eye x Kanoa Igarashi

sharp eye storms

Recentemente a revista Stab entrevistou o Kanoa, e em certo momento ele contou a história da sua relação com a Sharp Eye. Desde o início da sua carreira, Igarashi foi patrocinado pela Channel Islands e essa relação sempre foi de muito sucesso. Entretanto, o manager da Quiksilver, sua patrocinadora de bico, certo dia resolveu encomendar uma prancha da Sharp Eye para o surfista japonês. Naquele momento ele não deu muita atenção, apenas a guardou em sua garagem, em meio a dezenas de outras pranchas da Al Merrick.

Acontece que quase dois anos depois disso, já em 2018, Igarashi estava dando uma geral na garagem de casa com seu pai e reencontrou aquela Sharp Eye, que estava esquecida ali. A prancha realmente chamou sua atenção naquele momento e ele resolveu colocá-la na água. O resultado foi muito melhor que ele esperava, a prancha encaixou muito bem sob seus pés. Dessa forma, Kanoa decidiu colocá-la no capão de pranchas que levaria para as etapas do circuito mundial na África Do Sul.

Logo no primeiro campeonato, Igarashi quebrou três das suas Al Merricks em Ballito, na etapa válida pelo QS. Por isso, acabou ficando com poucas opções para utilizar na etapa do CT em Jeffrey’s Bay. Foi aí que ele se viu praticamente obrigado e colocar aquela Sharp Eye na água, algo que ele considerava quase um crime.

Surfar com uma prancha de outra marca em um evento profissional com tanta cobertura de mídia e público parecia ser muito errado. Todavia, essa foi sua escolha e o que aconteceu foi uma performance nunca antes imaginada por ele naquelas ondas. Kanoa amou a prancha e obteve um excelente resultado com um surf acima da média, começando assim uma relação profissional e definitiva com a marca do shaper brasileiro Márcio Zouvi.

Sharp Eye Storms

sharp eye storms

Depois de ter gostado tanto daquela prancha e ter sido oficializado como atleta oficial da marca, o surfista japonês começou então a desenvolver um modelo específico com o shaper Márcio. Foram criados alguns protótipos para ondas pequenas, pensando nas ondas pequenas do Japão, onde Kanoa iria competir no ISA Games.

A prancha funcionou muito bem por lá e ajudou demais nas performances do atleta durante todo o evento. Isso lhe rendeu a segunda colocação individual e também a medalha de ouro por equipes para o Japão. Como não poderia ser diferente, o surfista elogiou muito aquela prancha e então eles decidiram refinar alguns pontos para lançar oficialmente a Storms.

Certamente, a ideia do shaper em criar aquela prancha de alta performance não poderia sair do zero. Com tantos modelos de sucesso experimentados e validados por atletas como Filipe Toledo por exemplo, Márcio iria aproveitar alguns aspectos de outras pranchas. De fato foi isso que aconteceu, a Sharp Eye Storms foi toda desenhada com base no modelo Disco Inferno, um dos principais da marca.

Outline E Bordas

 

A Storms é uma prancha de alta performance para ondas pequenas e médias. Dessa forma, podemos esperar um outline um pouco mais largo que pranchas high performance para ondas boas. Ela realmente carrega um pouco mais de largura desde o bico até a rabeta, mas nada exagerado ou fora do comum. Em suma, seu outline é bem equilibrado e discreto. Seu ponto mais largo fica centralizado no meio da prancha, apesar de ela ter um pouco mais de volume puxado para frente, o que favorece a projeção horizontal, a velocidade sob o pé da frente e também o poder de remada.

A exemplo de outros modelos com a mesma proposta, tais como a Al Merrick OG Flyer e a Chilli Hot Knife, a Sharp Eye Storms conta com um bump, uma quebra de linha nas bordas, logo abaixo das quilhas laterais. Isso faz com ela prancha ganhe um ponto de rotação importante e consiga quebrar mais a linha das manobras quando necessário, atacando o lip e fazendo curvas mais fechadas (mais pivô).

Suas bordas são suaves e médias desde o bico até pouco antes das quilhas laterais. A partir deste ponto elas começam a ficar mais baixas e afiadas. Com isso, a Storms flui suavemente nas ondas ao mesmo tempo em que oferece ótima sensibilidade no pé de trás. Bordas mais baixas na rabeta fazem com que a prancha seja mais responsiva e arisca.

Concave

O concave da Storms é bastante simples em termos de desenho, mas muito agressivo em termos de profundidade. Começa com um single suave que vai se aprofundando conforme se aproxima da base do pé da frente. A partir daí vai mudando para um double agressivo, que se mostra mais acentuado que a maioria das pranchas as quais já analisamos aqui. Assim segue até a saída da rabeta, sem apresentar mais nenhuma variação. Este tipo de concave favorece a velocidade e a sustentação. Além disso, o double agressivo faz com que ela seja muito fácil de virar e realizar trocas de borda super ágeis.

Rocker

sharp eye storms

Como dissemos anteriormente, a Storms foi baseada na Disco Inferno. Assim sendo, sua curva de rocker é basicamente uma cópia daquele modelo. Conta com uma curva de entrada média, seguindo contínua pelo meio da prancha. O rocker de saída na rabeta também é médio, que combinado com o bump no outline faz com que ela projete muito bem verticalmente.

Em resumo, sua curva de rocker geral a faz uma prancha versátil para diversos tipos de condições de mar entre 2 e 5 pés. Ela entrega ótimo drive durantes as curvas, tanto nas cavadas quanto no topo da onda. Além disso, carrega boa velocidade tanto nas partes mais críticas quanto em partes mais deitadas.

Quilhas

Não poderíamos ir contra a recomendação de quilhas do shaper Márcio Zouvi para esta prancha. Neste caso, a FCS Filipe Toledo. Se você pesa mais de 65 quilos teste as quilhas grande (large), elas tiveram uma resposta melhor ainda com este modelo de prancha. Este modelo de quilhas combina bem com a curva média de rocker o falso wing nas bordas, entregando muita tração, drive e velocidade durante as curvas. Se você usa Futures Fins, prefira o modelo Mayhem Large.

Sensações

sharp eye storms

A Sharp Eye Storms é um modelo ideal para o surfista intermediário e avançado, além é claro dos profissionais. Recomendamos este modelo como a prancha do dia a dia para muitos picos do Brasil. Ela responde muito bem em ondas entre meio metro e um metro e meio. Fornece muita velocidade e manobrabilidade, por isso é solta demais para surfistas iniciantes, mas sem dúvida irá elevar o nível de surf dos mais habilidosos. A Storms vem por padrão com o fundo pintado de vermelho, o que dá ainda mais exclusividade para o modelo.

Se você gostou dela, recomende aos seus amigos que estão buscando por pranchas para quebrar as ondas no dia a dia. Assista abaixo aos vídeos-análise da Storms feitos pela revista Stab e também pelo californiano Noel Salas.

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